A Cal Dolomítica na Calagem do Caldo

A Caltec foi precursora dos estudos que possibilitariam a consolidação do uso do magnésio presente na cal dolomítica no tratamento do caldo.

Tomando conhecimento que o magnésio já tinha sido testado na caleação do caldo anteriormente no exterior sem êxito, a Caltec começou a pesquisar como poderia resolver as dificuldades de aplicação já conhecidas para viabilizar o uso do magnésio presente na cal dolomítica, uma vez que o magnésio puro é um produto muito caro para ser usado na calagem do caldo.

Mas a questão era que o magnésio presente na cal dolomítica não tinha reatividade suficiente para ser aplicado em um processo que não envolve pHs baixos o suficiente para promover a reação de neutralização.

Naturalmente – quando obtido pela calcinação da dolomita (mineral presente em menor ou maior teor em uma rocha calcária) o magnésio tem baixa reatividade.

Quando as reações com o magnésio presente na dolomita não ocorrem satisfatoriamente (primeiro com a água e depois com os ácidos do processo), seu uso se torna um tarefa inglória: o pH do caldo oscila, a perda de sacarose aumenta, o decantador revira, os filtros não dão carga, a turbidez do caldo clarificado cai e além de tudo, o consumo de cal aumenta ao memso tempo que aumentam as incrustações, justamente por que é como se você estivesse dosando um material parcialmente inerte no processo – a parte não reativa necessita ser compensada pela parte reativa para que se promova o nível ideal de neutralização com consequente coagulação e decantação das impurezas presentes no caldo.

Para que fosse possível utilizar o óxido de magnésio presente na cal dolomítica, era necessário melhorar sua reatividade, desta forma a Caltec poderia oferecer um produto adequado para clarificação do caldo que pudesse ser utilizado por uma usina de cana. Mas como?

Se calcinarmos a dolomita em uma temperatura menor que a necessária para transformar carbonato de cálcio em óxido de cálcio (1150ºC), teremos parte deste carbonato como impureza no produto final (diz-se “cal cru”). Se calcinarmos demais, teremos óxido de magnésio requeimado.

Bem, se a taxa de reação química entre um sólido e um líquido só pode ser alterada por mudança de pressão, temperatura, concentração e área de contato e não podíamos mudar nada disso na usina, mudamos o que estava ao nosso alcance: a área específica.

Através de uma solução simples mas eficiente para aumentar a reatividade do produto final a Caltec mudou o status quo da cal nas usinas de cana, primeiro, a troca de de cal em pedra por cal micropulverizada, segundo, de cálcio como único alcalinizante para magnésio.

Usando tecnologia de moagem já bem dominada pela indústria cimenteira, aumentou de forma significativa não só a quantidade de superfinos como de lamelas no produto final. (Na indústria cimenteira não se mede a finura do cimento, mas o Blaine – grandeza usada para medir área específica.) Afinal, do ponto de vista reacional, a área específica é mais importante que a finura em si.

Outro passo importante foi convencer as usinas a usar um produto micropulverizado, pois quase todas utilizavam cal em pedra e os sistemas de dosagem eram compostos por correias transportadoras e outros equipamentos inadequados pra manipulação de pó.

Deixamos aqui um agradecimento especial ao amigo e professor Sebastião Cirino que acreditou no projeto, fez algumas alterações nos seus equipamentos e começou os testes com o material ofertado em júlio de 1998 na usina Santa Elisa de Sertãozinho. Não foi fácil, mas habilmente ele e sua equipe conseguiram controlar a caleação, os decantadores e a filtragem, e aos poucos foram substituindo 100% da cal calcítica que utilizavam por cal dolomítica.

Ainda em 1998 a Caltec fez adequações e novos investimentos na separação da parte menos reativa da cal dolomítica, lançando em 1999 a Clarisina, uma dolomita calcinada de alta área superficial, própria para tratamento de caldo de cana.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *