Cal Dolomítica, Cal Calcítica vs. Cal Magnesiana

CAL CALCÍTICA, CAL DOLOMÍTICA vs. CAL MAGNESIANA

A definição do que é cal calcítica, cal dolomítica e o que é cal magnesiana é um pouco confusa para os consumidores. Para simplificar todos os pontos de vista numa classificação acadêmica, dizem que uma cal é classificada como cal calcítica se seus limites de MgO são de até 12%. Quando tem entre 12% e 24% de MgO, seria classificada como cal magnesiana e acima de 24% de MgO seria classificada como cal dolomítica. Porém, há uma diferença básica que é mais importante a ser levada em conta: os minerais de formação do calcário que darão origem a cal implicam em uma classificação pela mineralogia e características de decorrem desta.

Como os principais minerais que dão origem a cal são a calcita (CaCO3) e dolomita (CaCO3.MgCO3), vou me restringir a falar destes.
Quando um calcário é formado somente por dolomita, ele é dolomítico e se for puro (sem contaminação de sílica, alumínio, ferro, etc.) confundimos o minério com o mineral, dizendo que o calcário é uma dolomita.

Se o calcário for formado principalmente por calcita, será calcítico. Então, obviamente, se tiver os dois minerais em proporções “relevantes”, não pode ser chamado com nenhum destes nomes, e só pode ser classificado como calcário magnesiano.
Aí a definição do que é dolomítico e o que é magnesiando fica no campo da semântica: que percentual é “relevante” para classificá-lo como dolomítico, calcítico ou magnesiano? Bem, relevante é o que é importante, e importante, é o que de fato interferirá no uso ou aplicação daquela cal.

Se a quantidade de magnésio é relevante para o processo na qual a cal será aplicada, uma cal magnesiana não deveria ser confundida com uma cal dolomítica, pois a segunda tem muito mais magnésio que a primeira, em alguns casos, quase o dobro.
Perceba que na dolomita, tem-se uma relação molar de 1:1 entre Ca:Mg, ou seja, uma molécula de carbonato de magnésio para cada molécula de carbonato de cálcio, o que implica em uma relação mássica entre CaO e MgO de 1,4, afinal, um mol de CaO pesa 56 e um mol de MgO pesa 40.

Quando o calcário tem calcita em sua composição, parte do magnésio é substituído por cálcio, impedindo a presença de altas quantidades de magnésio.
Como se a simples redução da quantidade de magnésio já não fosse relevante, temos aí um segundo fenômeno: a temperatura de calcinação da calcita é mais alta que a da dolomita, implicando na requeima da dolomita.
Portanto, quando há interesse no uso do magnésio presente em uma cal, é importante que o calcário que deu origem ao produto não tenha calcita, pois se não, na obtenção do produto, o magnésio será necessariamente inertizado pela temperatura inerente a calcinação da calcita.

Por fim, além de uma dolomita calcinada (cal dolomítica pura) ter mais MgO em quantidade que em uma cal magnesiana, o MgO presente na dolomita calcinada será mais disponível e passível de ser utilizado em uma reação química que o de uma cal magnesiana.

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