Cal Dolomítica: Magnésio Disponível x Residual de Anidrido Carbônico

Durante a produção da cal dolomítica, há um paradigma: como obter um produto perfeitamente acabado (sem resíduo de anidrido carbônico) e ao mesmo tempo evitar a requeima do magnésio? Se é necessário elevar a temperatura acima do ponto de calcinação do cálcio, como evitar que o magnésio seja exposto a temperaturas que levem a sua inertização?
Questões ligadas ao comportamento térmico dos minerais dolomita e calcita explicam como isto é possível: A dolomita, enquanto solução sólida, demanda menos energia para ser calcinada que a calcita, isto permite o uso de temperatura inferior para calcinar dolomita ao invés de calcita, que demanda não só temperatura, mas tempo maior. Daí que o problema só pode ser minimizado em calcários dolomíticos puros, ou seja, que não tenham a presença de calcita.

Quando se tem calcita junto da dolomita é necessário utilizar temperatura mais alta, necessária para calcinar (descarbonatar) toda a calcita presente na mistura. Mas não é preciso de uma análise mineralógica para perceber quando uma cal dolomítica tem calcita na sua composição: se a quantidade de CaO ultrapassa 1,4 x a quantidade de MgO, é por que trata-se de um produto heterogêneo, nestes, ou se requeima o magnésio ainda mais, ou deixa-se de calcinar a calcita, sobrando resíduo de CO2 (anidrido carbônico).
Como se isto não bastasse, há uma outra dificuldade imposta à indústria de cal: é muito comum que a mistura entre dolomita e calcita leve a degradação do calcário durante a sua calcinação, fenômeno bem conhecido, chamado de decrepitação.

Perceba que para que o calcário seja calcinado, o CO2 tem de fato que migrar para fora dele, por isso, quando o minério não tem uma cristalografia homogênea, a pedra calcária acaba estourando, quebrando ou desintegrando dentro do forno.  Isto é muito comum nas ocorrências de calcário calcítico existentes no Paraná, visto que estes são de fato magnesianos (mistura de calcita com dolomita). Mas não ocorre com o calcário dolomítico, pois este é formado por uma solução sólida homogênia (exclusivamente de dolomita), sem contaminação por calcita. Da mesma forma, é comum ocorrer decrepitação de calcários ditos dolomíticos em Minas Gerais, onde a dolomita está contaminada por calcita.
Uma vez que a decrepitação da matéria prima acentua problemas ligados a calcinação, fica bem complicado obter uma cal dolomítica de boa qualidade a partir de um mineral heterogêneo.
A Caltec explora formações geológicas de dolomita pura. Isto implica em uma vantagem natural que facilita sua calcinação em temperatura mais baixas que o calcário dito “dolomítico” existente em Minas Gerais ou em Goiás. Nestes locais, é necessário expor a dolomita à temperatura necessária para calcinar a calcita presente na mistura, o que inevitavelmente torna o óxido de magnésio ainda mais requeimado, consequentemente, mais inerte e menos reativo.

Por isso fazemos questão de frizar que o que a Caltec produz é dolomita calcinada, e não simplesmente cal conhecida genericamente como cal dolomítica, aliás, a cal dolomítica produzida em Minas Gerais deveria ser classificada como cal magnesiana, pois aquele nunca oferecerá a quantidade de magnésio disponível existente em uma cal de fato dolomítica (dolomita calcinada). São absolutamente, produtos distintos.

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