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Óxidos no sulco de plantio da cana-de-açúcar
Óxidos no sulco de plantio da cana-de-açúcar
16 Jul 2026

Óxidos no sulco de plantio da cana-de-açúcar

Veja como a aplicação de óxidos de cálcio e magnésio no sulco de plantio influencia o solo, o enraizamento e a produtividade da cana.

A implantação do canavial é um dos momentos mais importantes para a definição do potencial produtivo da cultura. Um sistema radicular profundo e vigoroso favorece a absorção de água e nutrientes, reduz os impactos dos períodos de déficit hídrico e contribui para a longevidade do canavial.

Nesse contexto, a aplicação localizada de óxidos de cálcio (CaO) e magnésio (MgO) no fundo do sulco de plantio surge como uma estratégia para acelerar o fornecimento desses nutrientes e melhorar o ambiente químico do solo na região onde as raízes iniciam seu desenvolvimento. 

Como os óxidos de cálcio e magnésio atuam no solo?

Ao entrarem em contato com a umidade do solo, os óxidos de cálcio e magnésio se hidratam rapidamente, formando hidróxidos que liberam Ca²⁺, Mg²⁺ e hidroxilas (OH⁻).

Esse processo contribui para a neutralização da acidez e para a disponibilização de cálcio e magnésio em curto espaço de tempo. Como a aplicação é realizada no fundo do sulco, a atuação ocorre próxima à região em que as raízes começam sua expansão.

Essa característica pode favorecer o desenvolvimento inicial da cana-de-açúcar e melhorar as condições para que o sistema radicular explore o perfil do solo.

Avaliação da aplicação de CaO e MgO no sulco

Para avaliar essa tecnologia, foram conduzidos dois experimentos comerciais em áreas de produção de cana-de-açúcar:

  • Usina Santo Ângelo, em Minas Gerais; 
  • Usina Buriti, em São Paulo. 

O produto utilizado apresentava 46% de CaO e 33% de MgO e foi aplicado diretamente no fundo do sulco nas doses de:

  • 50 kg/ha; 
  • 100 kg/ha; 
  • 150 kg/ha; 
  • 200 kg/ha. 

Também foi avaliada uma testemunha sem aplicação do produto.

Resultados na Usina Santo Ângelo

Na Usina Santo Ângelo, a dose de 150 kg/ha apresentou os melhores resultados.

Em comparação à testemunha, o tratamento proporcionou:

  • aumento aproximado de 13% na produção de colmos por hectare (TCH); 
  • aumento aproximado de 19% na produção de açúcar por hectare (TAH). 

Resultados na Usina Buriti

Na Usina Buriti, a maior resposta foi observada com a dose de 100 kg/ha.

Esse tratamento resultou em incremento aproximado de 15% na produção de açúcar por hectare em comparação à testemunha.

Alterações nos teores de Ca, Mg e pH do solo

Além dos ganhos de produtividade, também foram observadas alterações nos atributos químicos do solo e nos teores nutricionais das plantas.

Os tratamentos com óxidos de cálcio e magnésio apresentaram:

  • aumento dos teores de Ca e Mg trocáveis no solo; 
  • maior concentração foliar desses nutrientes; 
  • elevação do pH nas camadas de 0–20 cm e 20–40 cm; 
  • respostas concentradas na linha de plantio, em comparação à testemunha. 

Esses efeitos favorecem o desenvolvimento das raízes e ampliam a exploração do perfil do solo pela cultura.

Aplicação localizada e desenvolvimento inicial do canavial

A aplicação de nutrientes próxima ao sistema radicular permite que a cana-de-açúcar tenha acesso mais rápido ao cálcio e ao magnésio durante sua fase inicial de desenvolvimento.

Essa proximidade também contribui para a melhoria do ambiente químico na linha de plantio, região diretamente relacionada ao estabelecimento das raízes.

Os resultados obtidos nos dois experimentos demonstram que a dose de melhor resposta pode variar conforme as condições da área. Na Usina Santo Ângelo, o destaque foi a dose de 150 kg/ha, enquanto na Usina Buriti a maior resposta ocorreu com 100 kg/ha.

Conclusão

A aplicação de óxidos de cálcio e magnésio no fundo do sulco de plantio apresentou resultados positivos na produtividade da cana-de-açúcar.

Além dos incrementos em TCH e TAH, foram observados aumentos nos teores de Ca e Mg no solo e nas folhas, assim como elevação do pH na linha de plantio.

Os dados indicam que tecnologias capazes de fornecer nutrientes de forma rápida e próxima ao sistema radicular podem contribuir para o estabelecimento inicial da cultura e para a formação de canaviais mais produtivos e longevos. 

 

Referência

ALCÂNTARA, H. P. Óxido de cálcio e magnésio aplicado no fundo do sulco de plantio da cana-de-açúcar. Tese (Doutorado em Agronomia) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2020.