Óxidos no sulco de plantio da cana-de-açúcar
Veja como a aplicação de óxidos de cálcio e magnésio no sulco de plantio influencia o solo, o enraizamento e a produtividade da cana.
A implantação do canavial é um dos momentos mais importantes para a definição do potencial produtivo da cultura. Um sistema radicular profundo e vigoroso favorece a absorção de água e nutrientes, reduz os impactos dos períodos de déficit hídrico e contribui para a longevidade do canavial.
Nesse contexto, a aplicação localizada de óxidos de cálcio (CaO) e magnésio (MgO) no fundo do sulco de plantio surge como uma estratégia para acelerar o fornecimento desses nutrientes e melhorar o ambiente químico do solo na região onde as raízes iniciam seu desenvolvimento.
Como os óxidos de cálcio e magnésio atuam no solo?
Ao entrarem em contato com a umidade do solo, os óxidos de cálcio e magnésio se hidratam rapidamente, formando hidróxidos que liberam Ca²⁺, Mg²⁺ e hidroxilas (OH⁻).
Esse processo contribui para a neutralização da acidez e para a disponibilização de cálcio e magnésio em curto espaço de tempo. Como a aplicação é realizada no fundo do sulco, a atuação ocorre próxima à região em que as raízes começam sua expansão.
Essa característica pode favorecer o desenvolvimento inicial da cana-de-açúcar e melhorar as condições para que o sistema radicular explore o perfil do solo.
Avaliação da aplicação de CaO e MgO no sulco
Para avaliar essa tecnologia, foram conduzidos dois experimentos comerciais em áreas de produção de cana-de-açúcar:
- Usina Santo Ângelo, em Minas Gerais;
- Usina Buriti, em São Paulo.
O produto utilizado apresentava 46% de CaO e 33% de MgO e foi aplicado diretamente no fundo do sulco nas doses de:
- 50 kg/ha;
- 100 kg/ha;
- 150 kg/ha;
- 200 kg/ha.
Também foi avaliada uma testemunha sem aplicação do produto.
Resultados na Usina Santo Ângelo
Na Usina Santo Ângelo, a dose de 150 kg/ha apresentou os melhores resultados.
Em comparação à testemunha, o tratamento proporcionou:
- aumento aproximado de 13% na produção de colmos por hectare (TCH);
- aumento aproximado de 19% na produção de açúcar por hectare (TAH).
Resultados na Usina Buriti
Na Usina Buriti, a maior resposta foi observada com a dose de 100 kg/ha.
Esse tratamento resultou em incremento aproximado de 15% na produção de açúcar por hectare em comparação à testemunha.
Alterações nos teores de Ca, Mg e pH do solo
Além dos ganhos de produtividade, também foram observadas alterações nos atributos químicos do solo e nos teores nutricionais das plantas.
Os tratamentos com óxidos de cálcio e magnésio apresentaram:
- aumento dos teores de Ca e Mg trocáveis no solo;
- maior concentração foliar desses nutrientes;
- elevação do pH nas camadas de 0–20 cm e 20–40 cm;
- respostas concentradas na linha de plantio, em comparação à testemunha.
Esses efeitos favorecem o desenvolvimento das raízes e ampliam a exploração do perfil do solo pela cultura.
Aplicação localizada e desenvolvimento inicial do canavial
A aplicação de nutrientes próxima ao sistema radicular permite que a cana-de-açúcar tenha acesso mais rápido ao cálcio e ao magnésio durante sua fase inicial de desenvolvimento.
Essa proximidade também contribui para a melhoria do ambiente químico na linha de plantio, região diretamente relacionada ao estabelecimento das raízes.
Os resultados obtidos nos dois experimentos demonstram que a dose de melhor resposta pode variar conforme as condições da área. Na Usina Santo Ângelo, o destaque foi a dose de 150 kg/ha, enquanto na Usina Buriti a maior resposta ocorreu com 100 kg/ha.
Conclusão
A aplicação de óxidos de cálcio e magnésio no fundo do sulco de plantio apresentou resultados positivos na produtividade da cana-de-açúcar.
Além dos incrementos em TCH e TAH, foram observados aumentos nos teores de Ca e Mg no solo e nas folhas, assim como elevação do pH na linha de plantio.
Os dados indicam que tecnologias capazes de fornecer nutrientes de forma rápida e próxima ao sistema radicular podem contribuir para o estabelecimento inicial da cultura e para a formação de canaviais mais produtivos e longevos.
Referência
ALCÂNTARA, H. P. Óxido de cálcio e magnésio aplicado no fundo do sulco de plantio da cana-de-açúcar. Tese (Doutorado em Agronomia) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2020.
Outras Notícias