Voltar
Uso de óxido de cálcio e magnésio (OxiFlux) em mudas de eucalipto
Uso de óxido de cálcio e magnésio (OxiFlux) em mudas de eucalipto
04 Mai 2026

Uso de óxido de cálcio e magnésio (OxiFlux) em mudas de eucalipto

Veja como o uso de óxido de cálcio e magnésio melhora o enraizamento, crescimento e qualidade de mudas de eucalipto em viveiro.

A silvicultura brasileira é um dos pilares do agronegócio moderno, destacando-se pela alta produtividade, tecnologia aplicada e relevância econômica. Dentro desse cenário, o eucalipto ocupa posição central, sendo a principal espécie cultivada no país para fins comerciais, especialmente para as indústrias de papel, celulose e energia.

Em 2024, a área plantada com silvicultura atingiu 9,9 milhões de hectares, sendo aproximadamente 78% destinados ao eucalipto. O setor movimentou cerca de R$ 44,3 bilhões, com destaque para Minas Gerais e Paraná como principais estados produtores (IBGE, 2024).

Nesse contexto, a qualidade das mudas é um dos fatores mais determinantes para o sucesso da floresta.


A importância da qualidade das mudas de eucalipto

A muda representa o ponto de partida de todo o ciclo produtivo. Problemas nessa fase tendem a se refletir por anos no desenvolvimento da floresta.

Mudas de baixa qualidade podem resultar em:

  • Baixo pegamento no campo
  • Desuniformidade no plantio
  • Redução do crescimento inicial
  • Maior suscetibilidade a pragas e doenças

Por outro lado, mudas de alta qualidade apresentam:

  • Sistema radicular bem formado
  • Uniformidade estrutural
  • Sanidade
  • Maior adaptação às condições ambientais

Esses atributos são decisivos para garantir estabelecimento rápido e crescimento equilibrado ao longo do ciclo.


Avaliação da eficiência do óxido de cálcio e magnésio

Com o objetivo de avaliar a eficiência agronômica do óxido de cálcio e magnésio na produção de mudas de eucalipto (material genético I-144), a Caltec conduziu um estudo comparando diferentes dosagens: 2,5 g, 3,5 g e 5 g por muda, além da testemunha.

Foram avaliados os seguintes parâmetros:

  • Altura de planta
  • Espessura de coleto
  • Massa seca de raízes
  • Massa seca da parte aérea
  • Massa seca total
  • Percentual de enraizamento
  • Percentual de sobrevivência

Os óxidos de cálcio e magnésio, por serem altamente concentrados e de rápida reação, favorecem nutrição eficiente mesmo em curto período de viveiro, promovendo melhor desenvolvimento e menor tempo de permanência em bandeja.


Formação de calos e início do enraizamento

Os resultados demonstraram maior porcentagem de formação de calos nas doses de 3,5 g e 5 g.

 

Tabela 1 – Porcentagem de calos dos tratamentos avaliados.

(Médias seguidas da mesma letra não diferem estatisticamente.)

A formação de calos é etapa fundamental do processo de enraizamento. O efeito observado pode ser explicado por:

  • Papel do cálcio na divisão e organização celular
  • Atuação do magnésio no metabolismo energético
  • Melhoria das condições químicas do microambiente do substrato

No entanto, a ausência de superioridade expressiva da dose de 5 g em relação à de 3,5 g indica a existência de um limite fisiológico de resposta.


Crescimento vegetativo: altura e espessura

A dose de 3,5 g proporcionou incrementos de aproximadamente:

  • 17% em altura
  • 12% em espessura de coleto

Gráfico 1 – Média das variáveis altura e espessura entre os tratamentos.

(Médias seguidas da mesma letra não diferem estatisticamente.)

O crescimento equilibrado em altura e diâmetro é característica essencial de mudas de qualidade.

Explicação fisiológica:

  • Cálcio (Ca) → integridade e expansão da parede celular
  • Magnésio (Mg) → componente central da clorofila e aumento da eficiência fotossintética

O resultado combinado promove maior produção de fotoassimilados e desenvolvimento uniforme.


Acúmulo de biomassa: indicador real de desempenho

Os incrementos observados na massa seca de raiz, parte aérea e massa seca total reforçam a eficiência do produto, especialmente na dose de 3,5 g.

Gráfico 2 – Média da massa seca da raiz (MS RAIZ), massa seca da parte aérea (MS AÉREA) e massa seca total.

(Médias seguidas da mesma letra não diferem estatisticamente.)

A massa seca é um dos indicadores mais confiáveis na avaliação de mudas, pois representa acúmulo real de biomassa.

  • Maior massa radicular → maior capacidade de absorção
  • Maior massa aérea → maior eficiência na conversão de energia

Novamente, a dose de 5 g não apresentou ganhos adicionais expressivos, confirmando 3,5 g como ponto ótimo.


Firmeza do substrato e qualidade estrutural

Outro resultado relevante foi a obtenção de 100% de substrato firme aos 90 dias nos tratamentos com 3,5 g e 5 g.

Tabela 2 – Avaliação das mudas aos 90 dias (ALT, ESP e firmeza de substrato).

Esse indicador está diretamente ligado à formação de torrão coeso, fundamental para:

  • Transporte
  • Manuseio
  • Plantio em campo

O cálcio exerce papel determinante na estruturação celular e resistência mecânica das raízes.


Impacto operacional no viveiro

As mudas tratadas com óxidos apresentaram adiantamento em relação à testemunha, podendo ser enviadas ao campo mais cedo.

Isso representa:

  • Maior giro de bandejas
  • Redução do tempo de viveiro
  • Melhor fluxo de caixa
  • Maior eficiência operacional

Conclusão

Os resultados demonstram que o óxido de cálcio e magnésio é altamente eficiente na promoção do desenvolvimento inicial de mudas de eucalipto, atuando desde a indução do enraizamento até a formação de mudas com maior qualidade estrutural e fisiológica.

A dose de 3,5 g apresentou a melhor relação entre resposta fisiológica e eficiência de uso, consolidando-se como ponto ótimo de aplicação.

A consistência dos efeitos observados confirma a atuação integrada do produto tanto na fisiologia vegetal quanto na melhoria das condições do substrato, contribuindo para florestas mais uniformes, produtivas e economicamente viáveis.