Uso de óxido de cálcio e magnésio (OxiFlux) em mudas de eucalipto
Veja como o uso de óxido de cálcio e magnésio melhora o enraizamento, crescimento e qualidade de mudas de eucalipto em viveiro.
A silvicultura brasileira é um dos pilares do agronegócio moderno, destacando-se pela alta produtividade, tecnologia aplicada e relevância econômica. Dentro desse cenário, o eucalipto ocupa posição central, sendo a principal espécie cultivada no país para fins comerciais, especialmente para as indústrias de papel, celulose e energia.
Em 2024, a área plantada com silvicultura atingiu 9,9 milhões de hectares, sendo aproximadamente 78% destinados ao eucalipto. O setor movimentou cerca de R$ 44,3 bilhões, com destaque para Minas Gerais e Paraná como principais estados produtores (IBGE, 2024).
Nesse contexto, a qualidade das mudas é um dos fatores mais determinantes para o sucesso da floresta.
A importância da qualidade das mudas de eucalipto
A muda representa o ponto de partida de todo o ciclo produtivo. Problemas nessa fase tendem a se refletir por anos no desenvolvimento da floresta.
Mudas de baixa qualidade podem resultar em:
- Baixo pegamento no campo
- Desuniformidade no plantio
- Redução do crescimento inicial
- Maior suscetibilidade a pragas e doenças
Por outro lado, mudas de alta qualidade apresentam:
- Sistema radicular bem formado
- Uniformidade estrutural
- Sanidade
- Maior adaptação às condições ambientais
Esses atributos são decisivos para garantir estabelecimento rápido e crescimento equilibrado ao longo do ciclo.
Avaliação da eficiência do óxido de cálcio e magnésio
Com o objetivo de avaliar a eficiência agronômica do óxido de cálcio e magnésio na produção de mudas de eucalipto (material genético I-144), a Caltec conduziu um estudo comparando diferentes dosagens: 2,5 g, 3,5 g e 5 g por muda, além da testemunha.
Foram avaliados os seguintes parâmetros:
- Altura de planta
- Espessura de coleto
- Massa seca de raízes
- Massa seca da parte aérea
- Massa seca total
- Percentual de enraizamento
- Percentual de sobrevivência
Os óxidos de cálcio e magnésio, por serem altamente concentrados e de rápida reação, favorecem nutrição eficiente mesmo em curto período de viveiro, promovendo melhor desenvolvimento e menor tempo de permanência em bandeja.
Formação de calos e início do enraizamento
Os resultados demonstraram maior porcentagem de formação de calos nas doses de 3,5 g e 5 g.
Tabela 1 – Porcentagem de calos dos tratamentos avaliados.
(Médias seguidas da mesma letra não diferem estatisticamente.)
A formação de calos é etapa fundamental do processo de enraizamento. O efeito observado pode ser explicado por:
- Papel do cálcio na divisão e organização celular
- Atuação do magnésio no metabolismo energético
- Melhoria das condições químicas do microambiente do substrato
No entanto, a ausência de superioridade expressiva da dose de 5 g em relação à de 3,5 g indica a existência de um limite fisiológico de resposta.
Crescimento vegetativo: altura e espessura
A dose de 3,5 g proporcionou incrementos de aproximadamente:
- 17% em altura
- 12% em espessura de coleto
Gráfico 1 – Média das variáveis altura e espessura entre os tratamentos.
(Médias seguidas da mesma letra não diferem estatisticamente.)
O crescimento equilibrado em altura e diâmetro é característica essencial de mudas de qualidade.
Explicação fisiológica:
- Cálcio (Ca) → integridade e expansão da parede celular
- Magnésio (Mg) → componente central da clorofila e aumento da eficiência fotossintética
O resultado combinado promove maior produção de fotoassimilados e desenvolvimento uniforme.
Acúmulo de biomassa: indicador real de desempenho
Os incrementos observados na massa seca de raiz, parte aérea e massa seca total reforçam a eficiência do produto, especialmente na dose de 3,5 g.
Gráfico 2 – Média da massa seca da raiz (MS RAIZ), massa seca da parte aérea (MS AÉREA) e massa seca total.
(Médias seguidas da mesma letra não diferem estatisticamente.)
A massa seca é um dos indicadores mais confiáveis na avaliação de mudas, pois representa acúmulo real de biomassa.
- Maior massa radicular → maior capacidade de absorção
- Maior massa aérea → maior eficiência na conversão de energia
Novamente, a dose de 5 g não apresentou ganhos adicionais expressivos, confirmando 3,5 g como ponto ótimo.
Firmeza do substrato e qualidade estrutural
Outro resultado relevante foi a obtenção de 100% de substrato firme aos 90 dias nos tratamentos com 3,5 g e 5 g.
Tabela 2 – Avaliação das mudas aos 90 dias (ALT, ESP e firmeza de substrato).
Esse indicador está diretamente ligado à formação de torrão coeso, fundamental para:
- Transporte
- Manuseio
- Plantio em campo
O cálcio exerce papel determinante na estruturação celular e resistência mecânica das raízes.
Impacto operacional no viveiro
As mudas tratadas com óxidos apresentaram adiantamento em relação à testemunha, podendo ser enviadas ao campo mais cedo.
Isso representa:
- Maior giro de bandejas
- Redução do tempo de viveiro
- Melhor fluxo de caixa
- Maior eficiência operacional
Conclusão
Os resultados demonstram que o óxido de cálcio e magnésio é altamente eficiente na promoção do desenvolvimento inicial de mudas de eucalipto, atuando desde a indução do enraizamento até a formação de mudas com maior qualidade estrutural e fisiológica.
A dose de 3,5 g apresentou a melhor relação entre resposta fisiológica e eficiência de uso, consolidando-se como ponto ótimo de aplicação.
A consistência dos efeitos observados confirma a atuação integrada do produto tanto na fisiologia vegetal quanto na melhoria das condições do substrato, contribuindo para florestas mais uniformes, produtivas e economicamente viáveis.
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