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Fornecimento de cálcio e magnésio via óxido em solo arenoso: desempenho agronômico em cana-de-açúcar
Fornecimento de cálcio e magnésio via óxido em solo arenoso: desempenho agronômico em cana-de-açúcar
18 Fev 2026

Fornecimento de cálcio e magnésio via óxido em solo arenoso: desempenho agronômico em cana-de-açúcar

Veja como o fornecimento de cálcio e magnésio via óxido impacta a CTC e a produtividade da cana-de-açúcar em solo arenoso.

A mobilidade dos nutrientes no solo é fortemente influenciada por fatores como pH, teor de matéria orgânica, quantidade e tipo de argila, além da presença de outros cátions, como potássio (K⁺) e alumínio (Al³⁺).

Em ambientes onde se busca alta produtividade, especialmente com materiais genéticos mais exigentes em cálcio (Ca) e magnésio (Mg), o fornecimento desses nutrientes no momento adequado e em teores compatíveis com a demanda da cultura é determinante para o desempenho agronômico.

Com esse objetivo, a Caltec, em parceria com a consultoria AgroImpulse, conduziu um trabalho em solo de textura média arenosa (15–30% de argila), utilizando a variedade RB85 5536 em 5º corte. O estudo comparou:

  • Manejo convencional com calcário dolomítico (16% MgO e 26% CaO) + gesso (28% CaO e 15% S);
  • Manejo com óxido O-217 (16,6% MgO, 37% CaO e 8% S).

Os tratamentos avaliados foram:

  • T1 – Testemunha zero
  • T2 – 400 kg/ha de O-217 aplicado na linha
  • T3 – 2 t/ha de calcário dolomítico + 2 t/ha de gesso aplicados a lanço

Dinâmica de Ca e Mg no perfil do solo

Os resultados demonstram alterações importantes nos teores de cálcio e magnésio nas camadas de 0–10 cm e 0–20 cm ao longo do ciclo da cultura, evidenciando a dinâmica desses nutrientes em solo arenoso.


Participação de Ca e Mg na CTC

Observa-se evolução expressiva na porcentagem de Ca e Mg na CTC para ambos os tratamentos corretivos, com destaque para o O-217 aplicado na dose de 400 kg/ha na linha.

Nas camadas superficiais (0–10 cm e 0–20 cm), houve aumento significativo da participação de Mg, especialmente na camada de 0–20 cm, que atingiu 18,5% de saturação por magnésio. Esse comportamento está associado à tecnologia Mg+ presente no produto, favorecendo maior eficiência na disponibilização do nutriente.


Impacto na produtividade: TCH, ATR e TAH

Ao correlacionar os dados químicos com os resultados de produtividade, observa-se desempenho superior do tratamento com O-217.

O solo arenoso avaliado apresenta características típicas de baixa CTC e maior suscetibilidade à lixiviação. Além disso, a variedade RB85 5536 concentra aproximadamente 34% de seu sistema radicular na camada superficial (0–20 cm), respondendo positivamente a manejos nutricionais equilibrados, sobretudo em ambientes de produção B, C e D.

Nesse contexto, o fornecimento concentrado na linha, aliado à alta reatividade e concentração de nutrientes do O-217, favoreceu melhores resultados em:

  • TCH (toneladas de cana por hectare)
  • ATR (açúcares totais recuperáveis)
  • TAH (toneladas de açúcar por hectare)

Conclusão

Mesmo em dose significativamente menor quando comparado ao tratamento convencional (2 t de calcário dolomítico + 2 t de gesso), o Oxiflux O-217 — óxido de cálcio e magnésio com enxofre — demonstrou elevada eficiência agronômica quando aplicado dentro da prática da Ferticorreção.

Seus atributos técnicos, como:

  • granulometria diferenciada,
  • alta concentração de Ca e Mg,
  • presença de enxofre,
  • rápida disponibilidade no solo,

associados às características do solo arenoso e à resposta da variedade RB85 5536, resultaram em ganhos expressivos de TCH, ATR e TAH.

Os dados reforçam que, em ambientes com maior risco de perdas por lixiviação, estratégias que concentrem nutrientes na zona radicular e priorizem eficiência de disponibilização podem representar diferencial significativo na construção da produtividade do canavial.