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Raízes da soja: água, calor e acidez do solo
Raízes da soja: água, calor e acidez do solo
22 Out 2026

Raízes da soja: água, calor e acidez do solo

Entenda como o desenvolvimento radicular da soja, a disponibilidade de água e o manejo da acidez influenciam a resposta da cultura ao calor e à seca.

O radiador da soja está debaixo da terra

Nos períodos de elevada temperatura, o sistema radicular influencia diretamente a capacidade da soja de acessar água e sustentar a transpiração. A evaporação da água pelas folhas contribui para dissipar calor e auxiliar no resfriamento da planta. 

Quando o suprimento hídrico diminui, ocorre o fechamento estomático, reduzindo a transpiração, o resfriamento foliar e a entrada de CO₂. Como consequência, a atividade fotossintética também pode ser limitada. 

Raízes, água e temperatura

Raízes que exploram maior volume de solo podem acessar reservas de água presentes em diferentes camadas.

No entanto, maior profundidade não significa proteção garantida contra o estresse hídrico. Para que essa estratégia seja efetiva, é necessário que exista água disponível e que as raízes estejam funcionais nas camadas exploradas. 

Nesse sentido, o desenvolvimento radicular exerce papel importante na capacidade da soja de manter a transpiração e lidar com períodos de temperaturas elevadas e menor disponibilidade hídrica.

O que pode limitar o aprofundamento das raízes?

Além da compactação e de outros impedimentos físicos, a acidez subsuperficial pode restringir o crescimento radicular.

A presença de alumínio em níveis tóxicos prejudica o alongamento das raízes, enquanto a baixa disponibilidade de cálcio também pode limitar seu desenvolvimento. 

Por isso, a amostragem estratificada do solo é importante para identificar onde essas limitações estão localizadas e orientar o manejo de forma mais precisa. 

Calcário e óxidos de cálcio e magnésio no manejo

O calcário é a base tradicional do controle da acidez do solo.

Os óxidos de cálcio e magnésio também atuam na neutralização da acidez e do alumínio. Sua elevada reatividade potencial depende de fatores como composição, dose e condições de aplicação. 

Essa maior velocidade de reação pode permitir um ajuste mais rápido nas regiões onde o produto é aplicado. 

Da química do solo à resiliência da soja

A construção de um perfil de solo quimicamente equilibrado é fundamental para ampliar a capacidade da soja de enfrentar condições climáticas adversas.

Em períodos de altas temperaturas, a disponibilidade de água é essencial para manter a transpiração, responsável por parte do resfriamento foliar e pela manutenção da atividade fotossintética. 

Nesse contexto, o manejo da acidez contribui para criar condições favoráveis ao desenvolvimento radicular, permitindo maior exploração do perfil do solo e acesso às reservas hídricas. 

Assim, o controle da acidez deve ser compreendido não apenas como uma prática relacionada à fertilidade, mas também como uma estratégia que pode favorecer a resiliência da soja diante de períodos de estresse hídrico e térmico. 

Raízes no perfil do solo

Representação ilustrativa de raízes de soja explorando diferentes profundidades do solo (imagem gerada digitalmente; não corresponde a ensaio experimental). 

A imagem ajuda a ilustrar a importância da exploração de diferentes camadas do perfil, sem estabelecer uma profundidade fixa como garantia de maior tolerância ao estresse.

Conclusão

O potencial produtivo da soja também se constrói abaixo da superfície.

Calcário e ferticorretivos à base de óxidos de Ca e Mg são ferramentas utilizadas no controle da acidez e na melhoria dos atributos químicos do solo. Seu uso tecnicamente orientado, associado à conservação da estrutura e da água, pode favorecer a exploração radicular.

O objetivo não é prometer raízes a uma profundidade determinada, mas reduzir limitações reais presentes no perfil do solo. 

Referências

CAIRES, E. F. et al. (2001). Crescimento radicular e nutrição da soja cultivada no sistema plantio direto em resposta ao calcário e gesso na superfície. Revista Brasileira de Ciência do Solo, 25, 1029–1040.

TIECHER, T. et al. (2018). Crop response to gypsum application to subtropical soils under no-till in Brazil: a systematic review. Revista Brasileira de Ciência do Solo, 42, e0170271.

BRIGNOLI, F. et al. (2025). Lime and gypsum in Brazilian grain production: a bibliometric review of three decades of research. Revista Brasileira de Ciência do Solo, 49, e0250043.