Magnésio na Agricultura: importância, funções e como corrigir deficiência
Entenda a importância do magnésio na agricultura, seus efeitos na fotossíntese, raízes e produtividade, e como corrigir a deficiência dele no solo.
A nutrição adequada das culturas agrícolas é um dos pilares de sistemas produtivos eficientes, resilientes e economicamente viáveis. Nitrogênio, fósforo e potássio são amplamente reconhecidos como macronutrientes primários, mas outros elementos exercem funções igualmente estratégicas no metabolismo vegetal.
Entre eles estão enxofre, boro, ferro, cálcio e, especialmente, o magnésio, um nutriente muitas vezes subestimado no manejo nutricional. Embora requerido em quantidades variáveis conforme a cultura, o magnésio é indispensável para processos fisiológicos fundamentais e sua deficiência pode comprometer diretamente o rendimento das lavouras.
Diversos estudos já classificam o magnésio como um “nutriente esquecido”, apesar de sua participação direta em mecanismos bioquímicos essenciais ao crescimento e à produtividade das plantas.
O papel do magnésio na nutrição das plantas
O magnésio é absorvido pelas plantas na forma de cátion bivalente (Mg²⁺) e atua em múltiplas funções estruturais e metabólicas. Sua presença adequada garante eficiência fotossintética, bom desenvolvimento radicular e maior tolerância a condições de estresse.
Quando há deficiência de magnésio nas plantas, os impactos vão além da coloração foliar, refletindo em menor crescimento, menor absorção de nutrientes e redução do potencial produtivo.
Principais funções do magnésio no metabolismo vegetal
Magnésio como molécula central da clorofila

O magnésio é o átomo central da molécula de clorofila, sendo indispensável ao processo de fotossíntese. A captura da energia luminosa e sua conversão em energia química dependem diretamente da integridade dessa molécula.
Plantas bem supridas com magnésio apresentam coloração verde intensa, enquanto a deficiência resulta em folhas com aspecto amarelado ou verde opaco, facilmente perceptível a campo.

Transporte de carboidratos da parte aérea para as raízes
A fotossíntese ocorre nas folhas, mas os carboidratos produzidos precisam ser translocados para o sistema radicular. O magnésio atua como cofator essencial nas reações responsáveis pelo carregamento e transporte de sacarose via floema.
Em situações de deficiência, ocorre acúmulo de carboidratos nas folhas, redução da exportação para as raízes, menor crescimento radicular e queda na tolerância a estresses bióticos e abióticos. Isso compromete a absorção de água e nutrientes e limita o desenvolvimento da rizosfera.


Magnésio como ativador enzimático
O magnésio participa da ativação de mais de 300 reações enzimáticas no metabolismo vegetal. Entre elas estão a síntese de ATP, a estabilização de moléculas fosfatadas, a ativação da RuBisCO e mecanismos de defesa contra espécies reativas de oxigênio (EROs).
Em ambientes de alta luminosidade, temperaturas elevadas ou déficit hídrico, o fornecimento adequado de magnésio atua como fator fisiológico de tolerância ao estresse, contribuindo para a manutenção do metabolismo e da produtividade.
Deficiência de magnésio no solo e nas culturas
Os solos brasileiros, em sua maioria, são altamente intemperizados, com baixos valores de pH e presença significativa de alumínio tóxico. Essas condições favorecem a lixiviação do magnésio para camadas mais profundas e reduzem sua disponibilidade para as plantas.
Além disso, a exportação contínua pelas culturas, sem reposição adequada, intensifica a deficiência de magnésio no solo agrícola, tornando o manejo desse nutriente um ponto crítico nos sistemas produtivos tropicais.
Quais são os sintomas de deficiência de magnésio nas plantas?
A deficiência de magnésio apresenta sintomas característicos, especialmente em folhas mais velhas, devido à alta mobilidade do nutriente na planta. Os principais sinais incluem:
- Clorose internerval, com as nervuras permanecendo verdes
- Amarelecimento progressivo das folhas mais velhas
- Redução do crescimento do sistema radicular
- Menor tolerância ao estresse hídrico
- Queda no vigor e no potencial produtivo da cultura
Esse conjunto de sintomas costuma impactar diretamente a eficiência fotossintética e o aproveitamento dos demais nutrientes.
Como fornecer magnésio no solo agrícola de forma eficiente
Práticas tradicionais, como a calagem, contribuem para o aumento do pH e fornecimento de magnésio. No entanto, os calcários dolomíticos apresentam teores limitados desse nutriente, o que nem sempre atende à alta demanda das culturas modernas.
Nesse contexto, a Caltec atua com o manejo da Ferticorreção, recomendando o uso de óxidos de cálcio e magnésio devido às suas vantagens agronômicas, como:
- Alta concentração de magnésio
- Elevada biodisponibilidade
- Menores doses por hectare
- Facilidade operacional
- Segurança de uso no sistema produtivo
Essas características permitem maior eficiência no fornecimento de magnésio, favorecendo o equilíbrio nutricional, o desenvolvimento radicular e a produtividade das culturas.
A importância do magnésio para sistemas agrícolas produtivos
Apesar de sua relevância fisiológica, o magnésio ainda é subestimado no manejo nutricional. Seu papel vai além da clorofila, envolvendo transporte de energia, ativação enzimática, formação de raízes e resiliência ao estresse.
Em sistemas agrícolas intensivos, o monitoramento e a reposição adequada de magnésio são fundamentais para preservar a eficiência produtiva, a longevidade do solo e a sustentabilidade do sistema agrícola.
Fontes:
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