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Soja, deficiência de potássio e desequilíbrio nutricional: quando economizar custa produtividade
Soja, deficiência de potássio e desequilíbrio nutricional: quando economizar custa produtividade
12 Fev 2026

Soja, deficiência de potássio e desequilíbrio nutricional: quando economizar custa produtividade

Entenda como o desequilíbrio entre Ca, Mg e K pode causar deficiência de potássio na soja e comprometer o enchimento de grãos e a produtividade.

A lavoura muitas vezes revela mais do que um problema nutricional. Em determinadas situações, ela expõe também a realidade econômica enfrentada pelo produtor.

Nos últimos anos, o Rio Grande do Sul atravessou uma sequência severa de intempéries climáticas — excesso de chuvas, estiagens prolongadas e perdas produtivas sucessivas. Esse cenário não impactou apenas o potencial das culturas, mas também a capacidade de investimento de muitos produtores.

Em contextos de restrição financeira, decisões difíceis passam a fazer parte do manejo.


O caso: aplicação isolada de Ca e Mg sem adubação NPK de base

Nesta área de soja colocada retratada nas imagens deste artigo, optou-se por não realizar a adubação NPK de base. O manejo foi restrito à aplicação de 150 kg/ha de óxidos de cálcio e magnésio na linha de plantio, buscando reduzir custos.

É importante reforçar que esse não é o posicionamento técnico recomendado. Ainda assim, trata-se de uma decisão compreensível diante de limitações financeiras.

Contudo, o solo e a planta responderam.


Sintomas de deficiência de potássio na soja

Os sintomas observados nas folhas foram típicos de deficiência de potássio (K), especialmente em fases de maior exigência da cultura:

  • Clorose marginal;
  • Evolução para necrose nas bordas das folhas;
  • Redução da eficiência fotossintética;
  • Risco direto ao enchimento de grãos.

A deficiência de potássio compromete processos fisiológicos essenciais e impacta diretamente o rendimento final da lavoura.


Desequilíbrio na relação Ca : Mg : K no solo

Do ponto de vista químico, o cenário é clássico.

A aplicação localizada de óxidos de cálcio e magnésio elevou o pH e aumentou a saturação por Ca e Mg na região da linha de plantio. Esse movimento pode ter provocado um desbalanceamento na relação Ca : Mg : K no complexo de troca do solo.

Quando há excesso relativo de Ca e Mg, a competitividade do potássio nos sítios de troca diminui, limitando sua absorção pelas raízes — mesmo que o nutriente esteja presente no sistema.

Ou seja, não se trata apenas de quantidade aplicada, mas de equilíbrio nutricional.


Por que o potássio é essencial para a soja?

O potássio desempenha funções estratégicas na fisiologia da cultura:

✔ Regulação da abertura estomática
✔ Controle do balanço hídrico
✔ Ativação de enzimas fundamentais
✔ Formação e enchimento de vagens
✔ Definição do peso final de grãos

Quando há deficiência de potássio na soja, a perda não é apenas visual — ela se materializa na produtividade.


Manejos restritivos e seus riscos

O ponto mais sensível deste caso não está no erro técnico isolado.

O produtor não errou por desconhecimento. Ele errou por falta de opção.

Em períodos de crise, é natural buscar manejos de menor custo imediato. Porém, a nutrição vegetal responde de forma direta aos desequilíbrios. Reduções estratégicas precisam ser feitas com planejamento, análise de solo criteriosa e visão sistêmica.

Economizar no equilíbrio nutricional pode resultar em perdas superiores na colheita.


Ferticorretivos: ferramenta estratégica, não substituição nutricional

Ferticorretivos são ferramentas valiosas dentro do sistema produtivo. Contribuem para o controle da acidez, melhoria do ambiente radicular e maior eficiência na absorção de nutrientes.

Entretanto, não substituem a necessidade de adubação equilibrada quando há demanda da cultura. Sem posicionamento técnico adequado, podem deixar de ser solução e passar a representar risco agronômico.


Planejamento nutricional é investimento

Mais do que insumos, o produtor precisa de:

  • Planejamento;
  • Estratégia;
  • Apoio técnico consistente.

Especialmente em cenários de instabilidade climática e econômica, o manejo nutricional deve ser conduzido com base em equilíbrio, proporção entre nutrientes e visão de longo prazo.

No fim, nutrição não é custo. É investimento em estabilidade produtiva.